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FAZENDA MONTALVERNE

 

De propriedade do Senhor Orlando Carvalho Maciel, a fazenda Montalverne localiza – se a 3 Km de Muzambinho, foi adquirida por Cristiano Maciel, pai do atual proprietário, em 1938 como pagamento de dívida contraída por Osório Farias que havia comprado a fazenda de Antônio Fachad Junqueira. A sede da fazenda foi construída por volta de 1917, pelo filho de Fachad Junqueira, que era arquiteto. Foram obras suas também o terreiro de café e o sistema de distribuição de água. A fazenda possuía uma estação de trem que fazia o transporte da produção de café para o porto de Santos. A fazenda sobreviveu às duas grandes guerras e às Revoluções de 1930 e 32 (quando houve algumas batalhas na fazenda e a família se escondia nas casas dos colonos), devido a seu tamanho e ao fato de ser quase auto – suficiente, produzindo do café para exportação até lã para confecção de roupas. A família mudou – se para Campinas - SP em 1965, visitando a fazenda apenas esporadicamente.

Construída em estilo italiano, a sede sofreu uma reforma em 1969, quando por necessidade perdeu algumas características originais, como a pintura das paredes que haviam sido degradadas pela umidade. Em 1996, o engenheiro Régis Romano Maciel, filho do atual proprietário, começou a restaurar o imóvel procurando ser fiel ao estilo arquitetônico restaurando ou reproduzindo partes que foram modificadas com a reforma de 1969, como é o caso da sala, que na construção original tinha um pequeno hall de entrada e, em 69 foi retirado. O engenheiro preocupou – se com detalhes como o forro da sala, os lustres, um banco do jardim e a porta da sala que foram trazidos de um casarão de Campinas, construído no mesmo período, que hospedou o Rei da Suécia quando este visitou o Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Alguns detalhes como uma lcova (pequeno quarto sem janelas) que foi transformado em banheiro para maior comodidade. A maior parte  das  portas  ainda  são  originais ,  tendo  sido  trazidas  da  Rússia  em caixotes nos navios de carregamento . A cozinha tinha um barrado verde que foi substituído por azulejos. O barrado original que tinha desenhos teve que ser substituído, mas respeitando – se as características originais. Ao final da restauração, o porão vai ser transformado em quartos e salas, ficando a casa com um total de oito quartos. O engenheiro Régis Romano Maciel vem fazendo um trabalho minucioso e detalhado onde qualquer alteração necessária só será feita respeitando as características originais. A varanda foi uma das partes que houve necessidade de substituir a madeira dos balaústres por concreto, continuando o telhado em madeira aparente. Os degraus foram rebaixados, mudando de 20 cm para 16 cm de altura. A casa é rica em móveis do final do século passado e início deste, mesclando estilos que, ao final das obras, darão um aspecto agradável e nostálgico à fazenda que passou por gerações, acompanhando o desenvolvimento econômico de nossa cidade.  

 

                 

INFORME ARTÍSTICO E ARQUITETÔNICO

 

 

ARQUITETURA:

 

O conjunto a ser tombado é composto de uma residência, o jardim frontal, um eirado composto de quatro planos e uma casa de máquinas.

A residência apresenta planta de forma irregular contendo um alpendre e possuindo uma ala posterior e um anexo construído em diferentes épocas. Seu corpo principal original possui telhado com seis águas, o alpendre possui telhado com duas águas, a ala posterior tem telhado de três águas e o anexo com telhado em prolongo. A alvenaria é composta de tijolo de barro cozido assentado com argamassa de saibro no bloco original e ala posterior e argamassa de cimento e areia no anexo. O alicerce foi executado com pedras grandes calçadas com pedras menores e argamassadas em seus interstícios com massa de saibro. O desvão inferior hoje utilizado como depósito têm em seu plano superior barrotes que sustentam o piso soalhado e arcos com tijolos em vara. O bloco principal possui em sua fachada principal quatro janelas e o alpendre contendo uma porta e, na fachada lateral direita encontramos três janelas no bloco principal e duas na ala posterior e, a fachada lateral esquerda encontramos duas janelas. Outras janelas compõem suas fachadas posteriores, porém como o edifício ainda está em reforma estas não estão totalmente definidas e, por se tratar de modificação em ala não original não levaremos em conta tais elementos. No elegimento encontramos uma forra e várias aberturas de seu desvão inferior.

O eirado possui quatro planos em diferentes níveis separados por muros de arrimo feitos em alvenaria aparente composta de tijolo de barro cozido assentado com argamassa de cal em aparelho losangular e, piso revestido com plintos de 25 x 25 cm.

A Casa de Máquinas, com dois pavimentos, abrigava outrora uma máquina de beneficiar café, no pavimento superior, movida por um engenhoso sistema hidráulico, no pavimento inferior, que permanece intacto até hoje, a exceção da máquina propriamente dita que foi adaptada com um motor elétrico e transferida para outro local dentro da sede. A alvenaria desta casa é de tijolo de barro cozido aparente e assentado com argamassa de cal sobre alicerce de pedras grandes calçadas com pedras menores e argamassadas em seus interstícios com massa de cal. Seu telhado é composto de quatro águas e coberto com telha-vã do tipo capa e canal.

 

ORNAMENTAÇÃO:

 

O edifício apresenta junto ao seu beiral uma cimalha em toda sua orla. As janelas possuem vergas retas orladas com uma chambrana e fechamento em caixilharia tipo guilhotina composta de seis vidros transparentes lisos cada folha e, possuindo um escuro com duas folhas. A porta principal e engradada possuindo duas folhas e bandeira com três panos de vidro liso e transparente. O alpendre originalmente era sustentado por três pilares de madeira, estando sendo modificado atualmente para cinco pilares de alvenaria e, sua guarda que outrora era de madeira foi substituída por balaustres acimados por um pau-de-peito, juntamente com a escadaria que dá acesso ao alpendre. O interior da casa está sendo reformado com larga utilização de materiais históricos provenientes de demolições trazidas de outra cidade, não podendo, portanto ser considerados. O jardim é formado por canteiros em labirinto e nesta reforma foram introduzidos uma fonte, um banco e um pequeno chafariz junto ao muro do eirado.

A Casa de Máquinas possui alvenaria trabalhada com tijolos aparentes e portas superiores com verga reta, possuindo fechamento com duas folhas e folhas composta de tábuas verticais travadas com três travessas em seu tardoz. Duas janelas compõem a fachada lateral esquerda do pavimento superior e possuem verga reta e fechamento com tábuas verticais com duas travessas em seu tradoz. Já no pavimento inferior encontramos uma porta e uma janela ambas com verga em arco providas de bandeira onde existe uma grade sendo a porta engradada composta de duas folhas e a janela também de duas folhas feitas de tábuas verticais com duas travessas em seu tardoz. O soalho é de tábuas largas assentadas sobre barrotes engastados na alvenaria.

 

ACERVO FOTOGRÁFICO

                   

F.01/02 – CASA E EIRA

              

F.03/04/05 – DETALHES DO ENTORNO / JARDIM

   

F.06/07 – DETALHES DO ENTORNO / JARDIM

                                 

F.08/09 – DETALHES DO ENTORNO / JARDIM

 

           

F.10/11/12 – ESTAÇÃO MONTALVERNE DA

CIA. MAGYANA DE ESTRADAS DE FERRO

 

          

F.13/14 – FACHADA PRINCIPAL E DET. CANTEIRO DO JARDIM

 

          

F.15/16 – FACHADA POSTERIOR E LATERAL DIREITA

         

F.17 – FACHADA PRINCIPAL              F.18 – CASA DE MÁQUINAS

 

           

F.19 – FACHADA POSTERIOR                 F.20 – FACHADA POSTERIOR

 

                       

F.21/22/23 – AQUEDUTO E DETALHES DO JARDIM

 

     

F.24 – BANCO DO JARDIM                      F.25 – DET. ENTRADA DO JARDIM

 

  

F.26/27 – DET. MURO DE PEDRA E EIRA (TERREIRO DE CAFÉ)

 

  

F.28/29 – DETALHE DO TERREIRO DE CAFÉ (EIRA)

 

F.30 – DETALHE DA PLACA DE REINAUGURAÇÃO EM 1999.

 

 

 

 

EQUIPE TÉCNICA

 

FOTOS:

-          Luiz Ricardo Podestá;

-          Neide Barbosa de Souza;

-  Acervos particulares / fotos antigas / Irmãos Masotti e Sabá

 

PESQUISA HISTÓRICA:

-          Neide Barbosa de Souza – Historiadora (Faculdade de Filosofia Ciências e     Letras de Guaxupé – MG)

 

RELAÇÃO PATRIMÔNIO HISTÓRICO:

-          Fernando Antonio Magalhães – Secretário de Cultura e Turismo de Muzambinho

-          Neide Barbosa de Souza – Historiadora

-    Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador.

 

ANÁLISE, DESCRIÇÃO E PLANTAS:

-          Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador (Universidade Brás Cubas – Arquitetura e Urbanismo – Mogi das Cruzes - SP)

 

PLANTAS BAIXAS E DE FACHADAS:

-          Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador (Universidade Brás Cubas – Arquitetura e Urbanismo – Mogi das Cruzes - SP)

 

ORGANIZAÇÃO E MONTAGEM FINAL DOS PROCESSOS:

-          Neide Barbosa de Souza – Historiadora

-          Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador

 

Coordenação e Revisão:

-          Fernando Antônio Magalhães - Secretario de Cultura e Turismo de Muzambinho

 

Realização:

- Prefeitura Municipal de Muzambinho – Administração 1996 -2000

 

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