
CASA SEDE
DA
De propriedade da senhora Maria de Lourdes Armelin Martins, a Fazenda Santa Gabriela está na família
Martins de Oliveira há mais de 150 anos. O patriarca Antônio Martins de
Oliveira recebeu as terras, conhecidas como São Matheus, como herança de sua
esposa Dona Cândida Carolina de São José, que faleceu em 1872 quando foi feita
a partilha dos bens de seu pai José Antônio dos Reis, falecido em 19 de junho
de 1854.
A fazenda fica entre os
municípios de Muzambinho e Cabo Verde, no Estado de Minas Gerais, e Caconde no Estado de São Paulo, tendo pertencido a este até
a década de 1926, quando foi assinado um acordo transferindo a fazenda para o
município de Muzambinho, a pedido do Cel. José Antônio Martins de Oliveira
junto ao Dr. Lycurgo Leite, para que ele pudesse se
livrar dos pesados impostos que o Estado de Minas Gerais cobrava do pessoal do
São Matheus, quando vinham trazer café para ser transportado pela Mogiana (data de 1932 no Livro de recenseamento dos
cafeeiros do município de Muzambinho, página 42,
A atual
sede da fazenda foi construída por volta de 1889 – 1890. A casa passou por diversas reformas, sendo
uma delas em 1916. Por sua localização entre os Estados de Minas Gerais e São
Paulo serviu de passagem para os soldados paulistas nas Revoluções de 1930 e
1932.
O Cel. José Antônio Martins de Oliveira
casou-se com Gabriela Cândida de Oliveira, tendo o casal 14 filhos. O filho
caçula do casal, Dr. Álvaro Martins de Oliveira, casado com Dona Maria de
Lourdes Armelin Martins, tornou-se prefeito de
Muzambinho. Atuando durante 20 anos na política local, duas vezes como
prefeito, duas como vereador e uma como vice-prefeito.
Merece destaque a figura austera do
Cel. José Antônio Martins de Oliveira (Cel. Zeca
Martins) homem de visão, procurou fazer da fazenda um exemplo de
desenvolvimento, instalando uma usina na fazenda em 1926, aumentando em 1927 o
terreiro de café. Sua atuação na fazenda mereceu destaque na revista “O Campo”,
edição de Março de 1945, que relatava o fato de a fazenda possuir, já naquela
época, rádio, geladeira e telefone, utensílios de luxo, só vistos nas grandes
cidades. Em
Na vida
pública, atuou de forma dinâmica e firme na política, tendo sido ferrenho
combatente do Estado Novo implantado por Getúlio Vargas em 1.937.
Em 1946, o Dr.
Álvaro Martins de Oliveira casou-se com dona Maria de Lourdes Armelin Martins, indo o casal morar na sede da fazenda. Com
o falecimento do Cel. Zéca Martins, a propriedade
passou para o casal que teve 10 filhos, todos radicados em Muzambinho.
Acima da
varanda encontramos um frontão arrematado em seus vértices laterais por duas pilastrinas, apresentando em seu tímpano sinais de pinturas
desgastadas pelo tempo e um óculo próximo a sua cumeeira. Uma platibanda estende-se
deste a face menor área varandada e segue por toda a
fachada principal e oposta, tendo dois frontões esféricos separados por duas pilastrinas que também aparecem no prolongamento de seus
cunhais. Sob a platibanda encontramos uma cornija seguida de uma frisagem e uma
cimalha. As janelas, abaixo das platibandas, são constituídas de vergas retas
com chambranas e peitoril saliente, sendo acimadas por um montante. Todas estas janelas, juntamente
com as que fazem frente ao eido, são do tipo guilhotina possuindo caixilharia composta de oito panos de vidro
transparente/liso e possuem escuros internamente. O jardim de inverno é orlado
com caixilharia e possui piso revestido de ladrilhos
hidráulicos com desenhos sextavados em três cores (banco, verde e vermelho). Na
fachada posterior onde encontramos uma escada em “L” com um decanso
sendo que a mesma apresenta dois pilares de sustentação tendo em seu vão acimado por um arabesco. Completando seu entorno e,
voltando a varanda frontal, encontramos uma escadaria que de acesso a esta onde
em suas laterais rente ao seu elegimento localizam-se
dois consolos sendo um de cada lado. Já dentro da varanda encontramos a direita
uma face caixilhada e a frente um conjunto de sete
pilares de madeira com seção quadrada e quinas chanfradas, separados por uma gratinata de balaustres de madeira acimados
por um pau-de-peito. Abaixo desta gratinata,
no elegimento da varanda, encontramos sob uma camada
de chapisco, afrescos imitando alvenaria de tijolos.
A varanda possui piso revestido com ladrilhos hidráulicos decorados com
desenhos losangulares. Seu rodapé é também composto
de ladrilhos hidráulicos. Acima do rodapé encontramos na alvenaria um faiscado.
Este mesmo faiscado faz o arremate numa espécie de chambranas
nas janelas e portas e na cabeira que arremata seu
forro que é do tipo saia e camisa. Em cada um dos cheios que separam portas e
janelas da varanda encontramos um painel com tarja também pintada. Estes
painéis estão relativamente bem deteriorados e têm como motivo principal
representações de paisagens campestres e marinhas, conforme mostra as fotos em
anexo enumeradas da esquerda para a direita em relação ao observador. Uma caixilharia composta de vidros floretados
nas cores verde, amarela e lilás faz a vedação de sua extremidade. As janelas
da varanda são engradadas com almofadas na parte inferior e caixilhos com
quatro panos de vidros na superior, sendo os vidros inferiores decorados (jateados) com motivos florais e sua estrutura masseada e pintada com acabamento em uma espécie de pátina,
possuindo também um escuro e contendo uma aldrava. As portas também são
engradadas e recebem o mesmo acabamento das janelas. Adentrando na casa
encontramos a sala de estar. Esta possui soalho encabeirado
e forro com sarrafos tipo macho-fêmea arrematados em cruz por uma mata-juntas e
encabeirado. Suas paredes possuem afrescos com
motivos florais. Três portas partem da sala para outros cômodos, sendo à
direita de quem entra pela porta principal, um antigo escritório hoje uma
orada, com afrescos em suas paredes, à esquerda um dormitório também com
afrescos e a frente um corredor que dá acesso a um depósito à esquerda, um
dormitório também possuindo afrescos, à direita e a sala de jantar
O jardim localizado junto a fachada principal e a oposta
apresentam canteiros em forma de labirinto, uma bica em forma de pilarete com uma torneira e um poste de iluminação em ferro
fundido proveniente provavelmente da Bélgica, devido a seus desenhos. A
vegetação é composta de uma enorme variedade de espécies e árvores, arbustos e
vegetação rasteira. Na parte externa frontal ao jardim uma vagoneta, usada
anteriormente no eirado para transporte de café, hoje
é utilizada como floreira. O fechamento do jardim junto ao portão principal
encontramos pilares acimados com quadrifólio e
elementos vazados completando o fechamento.
O
Perímetro de tombamento é constituído pela Casa Sede, Edícula, quintal e
jardim, conforme identificado em planta na cor amarela, tendo como divisas o
pomar junto ao jardim, o terreiro de café, o pomar junto ao quintal, o curral e
o pátio frontal de estacionamento. Finalizando o perímetro, conforme mapa em
anexo.

A
poligonal que define a área de entorno foi delimitada à partir de marcos
naturais e ou permanentes mais próximos da área objeto deste.
A
poligonal de entorno inicia-se no ponto P.01 localizado na ponte da estrada
municipal onde esta cruza o córrego São Matheus, segue pelo referido córrego,
no sentido de suas águas, até o ponto P.02 localizado na próxima ponte sobre
este onde se localiza o ponto P.02, segue pela estrada particular que passa por
cima deste e segue em direção a sede, adentrando nesta até o ponto P.03
localizado na confluência desta estrada com a citada Estrada Municipal, segue a
Estrada sentido Muzambinho até encontrar novamente o ponto P.01, finalizando a
área de entorno ao bem tombado conforme mapa em anexo.



F. 01–CASA/FAMÍLIA (DÉC.10/20) F. 02 –
CASA (1926)


F.03 – CASA/TERREIRO (DÉC.1920)
F.04 – CASA

FOTO 05 – VISTA AÉREA (1998)


FOTOS 06/07 – VISTA FRONTAL


FOTO 08/09 – VISTAS FRONTAIS


FOTOS 10/11 – VISTAS LATERAIS

F.13 – JD. DE INVERNO F.12
– VISTA LATERAL

F.14 – VISTA LAT/POSTERIOR F.15 –
FUNDOS/EDÍCULA

FOTO 16 – EDÍCULA F.17–FORNO EDÍCULA

FOTOS 18/19 – DETALHE DA ESCADA –
“ARABESCO”

F.20/21 – VISTA ARREDORES - CAÇAMBA
DE CAFÉ

F.22/23 – DETALHE DO PORTÃO
PRINCIPAL

FOTO 24/25 – PAISAGISMO

F.26/27 – ACESSO PRINCIPAL (1998)

FOTO 28/29 – VARANDA FRONTAL

F.30/31 – VARANDA FRONTAL DET.
PAREDE – “FAISCADO”

F.32/33/34 – VARANDA FRONTAL/
PINTURA 1 e 2

F.35/36/37/38/39/40 – PINTURAS 3; 4;
5; 6; 7 e 8


F.41/42 – PINTURAS 9 e 10

F.43/44 – DET. FORRO E PAREDE DA
SALA ESTAR

FOTO 45/46 – DET. PORTA E JANELA DA
SALA DE ESTAR

F.47/48 – DET. VIDRO E TRANCA DA
JANELA DA SALA DE ESTAR

F.49/50 – DET.TRANCA DA JANELAE
PORTA INTERNA DA SALA DE ESTAR

F.51 – DET. PORTA INT. SALA DE
ESTAR F.52 – DET. PIA NA SALA DE
JANTAR
F.53 – DET. PORTA NA SALA DE JANTAR

F.54/55 – DET. DO BARRADO NA SALA DE
JANTAR

F.56/57 – DET. DO FORRO E PAREDE DA
SALA DE JANTAR

F.58/59 – DET. DO PISO E PORTA DO
JARDIM DE INVERNO (1998)

F.60/61 – DET. DAS PINTURAS NOS
DORMITÓRIOS

F.62/63 – DET. DAS PINTURAS DOS
DORMITÓRIOS

F.64/65 – DET. DAS PINTURAS DOS
DORMITÓRIOS

F.66/67 – DET. DO BANHEIRO (BIDÊ E BANHEIRA)
EQUIPE
TÉCNICA
FOTOS:
-
Luiz Ricardo Podestá;
- Acervos
particulares / fotos antigas / Irmãos Masotti e Sabá
PESQUISA HISTÓRICA:
-
Neide Barbosa de Souza – Historiadora (Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de
Guaxupé – MG)
RELAÇÃO
PATRIMÔNIO HISTÓRICO:
-
Fernando Antonio Magalhães – Secretário de Cultura e Turismo de Muzambinho
-
Neide Barbosa de Souza – Historiadora
- Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador.
ANÁLISE, DESCRIÇÃO E PLANTAS:
-
Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador
(Universidade Brás Cubas – Arquitetura e Urbanismo – Mogi das Cruzes - SP)
PLANTAS BAIXAS E DE FACHADAS:
-
Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador
(Universidade Brás Cubas – Arquitetura e Urbanismo – Mogi das Cruzes - SP)
ORGANIZAÇÃO
E MONTAGEM FINAL DOS PROCESSOS:
-
Neide Barbosa de Souza – Historiadora
-
Luiz Ricardo Podestá – Arquiteto / Restaurador
-
Fernando
Antônio Magalhães - Secretario de Cultura e Turismo de Muzambinho