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Histórico de Minas Gerais

 

Com quase todo o território localizado em planaltos, Minas Gerais tem uma paisagem marcada por montanhas, vales e grutas. Sua principal atração turística é o patrimônio de arquitetura e arte colonial conservado em cidades históricas como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Sabará, São João del Rey e Diamantina, que prosperaram em virtude da extração de ouro no século XVIII. Em 1999, Diamantina é tombada pela Unesco como patrimônio histórico da humanidade e torna-se a segunda cidade mineira a integrar a relação da instituição. A primeira, Ouro Preto, foi tombada em 1980. No sul, os pontos turísticos são as estâncias hidrominerais, como Caxambu, Cambuquira, Lambari, São Lourenço e Poços de Caldas .

 

Maior estado do Sudeste e principal produtor de café e leite do país, Minas torna-se nos últimos anos o segundo estado brasileiro mais industrializado, atrás apenas de São Paulo, ultrapassando o Rio de Janeiro, conforme estudo de 1999 do Ipea. Entre 1990 e 1998, cerca de 500 novas indústrias instalam-se em território mineiro, atraídas por incentivos fiscais, ampla rede de energia elétrica e facilidade de escoamento dos produtos para diversos pontos do país. O desenvolvimento industrial provoca um aumento de 5% nas exportações de Minas em 1998, que somam 7,6 bilhões de dólares. Trata-se do segundo melhor desempenho do país, atrás de São Paulo. Os produtos mais vendidos pelo estado são minério de ferro, aço, café, pedras preciosas, veículos e autopeças.

 

Setor automotivo - A presença de diversas montadoras de automóveis em Minas Gerais faz com que um grande número de empresas de autopeças se instale no estado. Boa parte se concentra em Betim, onde a Fiat está desde 1973. Outro pólo se desenvolve em Juiz de Fora, cidade em que, em 1999, a Mercedes-Benz inaugura uma fábrica. Porém, no final da década de 90, as taxas de crescimento começam a declinar. As montadoras estão entre as mais atingidas, o que se reflete na queda da arrecadação de ICMS para o governo, que reduz investimentos.

 

O setor moveleiro, concentrado no Triângulo Mineiro, cresce nos últimos anos. Gera 30 mil empregos diretos e coloca Minas Gerais em quarto lugar na fabricação de móveis no Brasil. Outro ramo significativo é o siderúrgico, com destaque para a Usiminas, em Ipatinga. Privatizada em 1997, ela se beneficia do fato de Minas Gerais responder por 75% da produção brasileira de minério de ferro. Outros minerais explorados em território mineiro são ouro, cimento, aço, ferro-liga, zinco, fosfato.

 

Café e leite - Minas mantém a liderança nacional na agropecuária, que ocupa quase 70% da área estadual e concentra-se sobretudo no sul, no sudeste e no Triângulo Mineiro. O estado produz metade da safra brasileira de café, é o segundo maior produtor de feijão do Brasil, atrás do Paraná, e o terceiro de milho. A cultura de algodão, favorecida pelo aumento da cotação do produto, está substituindo o plantio de arroz. Produtor da maior safra nacional de frutas, Minas destaca-se no cultivo de abacaxi: 27,75% do total do país é obtido no estado.

 

Dono do rebanho bovino mais numeroso do Brasil depois de Mato Grosso do Sul, Minas é líder na produção de leite, com 6 bilhões de litros por ano, 27,5% do total brasileiro, e o quarto colocado na de carne, com 606 mil t. O estado responde por 10% da produção nacional de ovos e de carne de frango.

 

Desequilíbrio norte-sul - Minas Gerais ainda não conseguiu resolver o desequilíbrio social e econômico entre suas regiões. Enquanto o sul concentra as indústrias e grande parte da atividade agrícola, o norte, castigado pela seca, é uma das áreas mais pobres do país. Para atender os 2,8 milhões de habitantes dos mais de 200 municípios ali localizados, o governo cria o Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Pequenas Comunidades do Norte e Nordeste de Minas. Iniciado em 1999, o programa está identificando as carências sociais da população local com o objetivo de implantar agroindústrias associadas à produção comunitária.

 

Divergências com o governo federal - Nos primeiros dias de seu mandato, o governador Itamar Franco (na época sem partido) critica a política econômica do governo federal e declara moratória da dívida de 18,5 bilhões de reais do estado com a União. A moratória só é suspensa em fevereiro de 2000. Suas relações com o presidente Fernando Henrique Cardoso continuam rompidas e o confronto entre os dois se agrava em junho de 2000: militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) cercam, em Buritis (MG), a fazenda da família do presidente Fernando Henrique, que envia tropas do Exército para protegê-la. O governador Itamar Franco considera o fato uma intervenção inconstitucional e que a propriedade, por ser particular, não deve ser protegida de tropas do Exército. Além disso, Itamar Franco julga que há intenção do Palácio do Planalto em desestabilizar seu governo e mobiliza a PM mineira para proteger o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. Em 5 de julho, finalmente, o governo federal retira as tropas após um acordo do Incra com os sem-terra da região.

 

FATOS HISTÓRICOS

 

As Minas Gerais surgem no final do século XVII, com as primeiras descobertas de jazidas pelos bandeirantes paulistas. Em pouco tempo, a região atrai colonos portugueses que, com seus escravos africanos, buscam lavras de ouro e diamante. À medida que cresce a produção, aumenta a fiscalização por parte da Coroa. Despontam conflitos pelo direito de exploração das minas, como a Guerra dos Emboabas, que opõe mineradores paulistas e comerciantes portugueses e brasileiros, e a Revolta de Vila Rica, em reação à política fiscal de Portugal. Em meados do século XVIII, a mineração está no auge da capacidade produtiva e a sociedade mineira vive o esplendor do barroco. Logo começa o declínio, provocado pelo esgotamento dos veios e pela pesada tributação. Em 1789, a capitania deve à Coroa perto de 400 arrobas de ouro, ou aproximadamente 6 t, em quintos atrasados. Esse excesso de imposto alimenta movimentos favoráveis à independência, como a Inconfidência Mineira, na qual se destaca a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

 

Após a independência, Minas começa a recuperar-se graças à expansão cafeeira, sobretudo no sudoeste e em áreas vizinhas ao Vale do Paraíba. A província participa ativamente da vida política do império. Junto com Rio de Janeiro e São Paulo, forma o núcleo do poder e a base de apoio do governo central contra as revoltas provinciais durante a Regência. Na república, a força e o prestígio político da oligarquia mineira estão presentes na política do café-com-leite com os paulistas, com os quais se reveza na Presidência. E, quando essa aliança é rompida por São Paulo, pressionado pela crise do café, Minas reage aderindo à Revolução de 1930, que põe fim à República Velha.

 

Participação política - Sempre dividido entre dois partidos tradicionais - Liberal e Conservador, no império, e Partido Social Democrático (PSD) e União Democrática Nacional (UDN), na república -, o estado continua a intervir na vida política do Brasil. Há o Manifesto dos Mineiros de 1943 contra o Estado Novo, a eleição de Juscelino Kubitschek para a Presidência da República em 1955 e o apoio ao golpe de 1964. Até a década de 60, porém, Minas Gerais permanece num plano secundário em relação ao desenvolvimento industrial do país, mantendo-se como grande fornecedor de insumos - como minérios, energia elétrica, produtos siderúrgicos, químicos e agropecuários - a outros centros.

 

A partir dos anos 70, com os incentivos fiscais dos governos federal e estadual, Minas amplia e diversifica sua base industrial, sobretudo nos setores têxtil, químico, mecânico-metalúrgico e agroindustrial. É criado também um pólo automobilístico na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Essa crescente industrialização reduz o setor primário, provocando êxodo rural e grande aumento da população urbana.

 

DADOS GERAIS

 

GEOGRAFIA - Localização: noroeste da Região Sudeste. Área: 588.383,6 km2. Relevo: planaltos com escarpas e depressões no centro. Ponto mais elevado: pico da Bandeira, na serra do Caparaó (2.889.80 m). Rios principais: São Francisco, Jequitinhonha, Doce, Grande, Paranaíba, Mucuri, Pardo. Vegetação: floresta tropical, a maior parte com faixa de cerrado a NE. Clima: tropical. Nº de municípios: 853

 

Igreja Nossa Senhora do Rosário em Diamantina, MG

 

Vila Rica, pintura do alemão Johann Moritz Rugendas

 

Diamantina, Patrimônio da Humanidade

Belíssima Arquitetura de Ouro Preto, MG

 

Artes plásticas em Minas Gerais

 

1766-1816 – A riqueza da decoração durante o ciclo do ouro em Minas Gerais aparece na fase final do barroco, o rococó, com seu exagero de linhas curvas e espirais. Essas características acentuam a idéia do poder absoluto da Igreja e do Estado, que controlam a produção artística. Nas pinturas e esculturas são usados modelos negros e mulatos. Entre os maiores artistas dessa corrente estão Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, criador das estátuas dos Profetas do adro da Igreja de Congonhas do Campo (MG), e Manuel da Costa Ataíde, autor de A Santa Ceia. Utilizando-se de materiais tipicamente brasileiros, como madeira e pedra-sabão, eles fundam uma arte nacional. No Rio de Janeiro destaca-se o entalhador Mestre Valentim.

 

BARROCO NO BRASIL – Influenciado primeiramente pelo barroco português, o movimento brasileiro assume características próprias e dá início efetivo à arte nacional.

 

Artes plásticas no Brasil – A principal produção, ligada à Igreja, concentra-se em Minas Gerais, centro de riqueza da época. Predomina o estilo rococó em esculturas de materiais típicos nacionais, como madeira e pedra-sabão. O arquiteto, entalhador e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinhoé o expoente. Entre suas obras-primas estão as esculturas Os Doze Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG). Outros artistas importantes são o escultor carioca Mestre Valentim (1750-1813) e o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde (1762?-1830). Na Bahia destaca-se a decoração de igrejas em Salvador, como a de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco. No Rio de Janeiro, o interior da Igreja do Mosteiro de São Bento.

 

Aleijadinho

 

Escultor, entalhador e arquiteto mineiro. É considerado o maior escultor do período barroco.

Antônio Francisco Lisboa (1730 - 1814) nasce em Vila Rica, atual Ouro Preto, filho de um mestre-de-obras português e de uma escrava. Seguindo os passos do pai, também entalhador, inicia-se na arte ainda criança. Ganha o apelido de Aleijadinho por volta dos 40 anos, quando passa a andar com dificuldade em conseqüência da hanseníase, doença que deforma suas pernas e mãos. Perde progressivamente o uso dos dedos das mãos e dos pés e é obrigado a andar de joelhos e a ter os instrumentos atados para poder esculpir. A limitação não o impede, no entanto, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais. Muitos críticos dividem a sua obra entre o período anterior à enfermidade, fase de equilíbrio e serenidade (Igreja São Francisco de Assis, 1766, e Igreja Nossa Senhora das Mercês e Perdões, 1775, ambas em Ouro Preto), e o período posterior a ela, em que estão suas obras mais consagradas, marcadas pelo expressionismo. Pertence a essa fase, entre 1796 e 1805, sua obra-prima: o conjunto de esculturas Os Passos da Paixão e Os Doze Profetas, da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas do Campo. O trabalho, que reúne 66 imagens esculpidas em madeira e 12 feitas de pedra-sabão, é considerado um dos mais representativos do barroco brasileiro. Sua obra funde os diferentes estilos barroco, rococó além dos estilos clássico e gótico, com temáticas e materiais nacionais, como a pedra-sabão. Aleijadinho morre em Ouro Preto, pobre e doente, permanecendo esquecido até o início deste século, quando é redescoberto e passa a ser reconhecido como o artista mais importante de todo o período colonial brasileiro. Além das obras que estão em Ouro Preto e Congonhas, seus trabalhos podem ser vistos em outras cidades mineiras, como Sabará, São João del Rey, Mariana, Caeté, Barão de Cocais e Tiradentes.

 

Os Doze Profetas, Esculturas de Aleijadinho que encontram-se na Igreja de Bom Jesus do Matosinhos em Congonhas do Campo.

 

 

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