Setor de Patrimônio Histórico,
Artístico e Cultural de Muzambinho-MG
Os conhecimentos sobre a história de
Muzambinho nasceram do trabalho dos profissionais de história, colaboradores,
jornalistas e outros interessados em construir a história de um município que,
ao longo dos anos, transformou-se em um grande referencial no imenso estado
mineiro. Os documentos que narram o desenvolvimento do município chegaram de
todos os lugares e, assim, cuidadosamente a história se constrói. Nada de dizer
que a história de Muzambinho está pronta. Os homens continuam a se fazer e
refazer e, conseqüentemente, a cidade também. Seguindo este norte podemos dizer
que um pouco de nossa história pode ser contada por todas as pessoas de nossa
cidade de maneira simples.
CAPÍTULO I – A FORMAÇÃO DO POVOADO
No princípio, era a mata atlântica com
sua exuberância de flora e fauna. Jequitibás, ipês, jacarandás, araucárias,
bromélias e uma enorme quantidade de plantas e insetos conviviam com os sauás, as capivaras, pacas,
lagartos, tatus, onças, jaguatiricas, tamanduás, veados, lobos, cobras, saguis,
peixes e pássaros como os jacus, gaviões, garças, sabiás, joãos-de-barro,
pintassilgos, bem-te-vis, tucanos, maritacas, papagaios e tantos outros que o
tempo e o homem trataram de dizimar.
Os estudos ainda não foram suficientes
e nem há uma comprovação precisa, mas podemos salientar que na região havia
nativos tapuias, tupis, botocudos, cataguases, caiapós, guaianás e catuás. Nas cidades vizinhas de Caldas e Carmo do Rio
Claro existem registros sobre a presença dos grupos indígenas na região. Um
estudo mais profundo precisa ser feito, mas na tradição oral da cidade, fala-se
na existência de bugres(1). Os
nativos fugiram para o interior do Brasil(2)
desconhecido na busca de um abrigo seguro onde pudessem estar longe das espadas
dos colonizadores. A terra que antes era segurança e sobrevivência, passou a
ser para os nativos, tortura e desesperança. A cruz e a espada dos
colonizadores forçaram as migrações internas dos índios, e, provavelmente, em nossa
terra não foi diferente. A busca pelo ouro e a expansão bandeirante
dificultaram a vida por estas terras longínquas, até então não exploradas.
Assim o nativo deixou a região bem cedo.
Após o terremoto que praticamente
destruiu Lisboa em 1755, aumentaram as pressões da Coroa Portuguesa para que
fosse enviado mais ouro para a reconstrução da
cidade, o que obrigou o
desbravamento do interior do Brasil, especialmente do sudoeste de Minas Gerais,
para além da Comarca do Vale do Rio da Morte onde o
ouro estava acabando. Sendo assim, os representantes da Coroa Portuguesa no
Brasil Colônia não hesitaram em percorrer o imenso território na busca de novas
fontes de riqueza. Em uma dessas viagens de reconhecimento de território e
busca por novos lucros para a Coroa, acredita-se que o dirigente de Minas, Luiz
Diogo Lobo da Silva passou pelo que hoje se denomina Sul de Minas Gerais.
“A
partir de 1762, as margens dos córregos, ao longo das picadas abertas nas
matas, ao norte de São Bartolomeu e ao sul de Jacuí já eram habitadas por
negros quilombolas e bandeirantes
paulistas e portugueses que iam de Jacuí à Cabo Verde. Quando o governador de
Minas, Luiz Diogo Lobo da Silva desceu de Jacuí
para Cabo Verde, em 1764, passou pelo local denominado Quilombo, justamente
na posição onde hoje encontra-se Muzambinho. A carta de seu secretário, que o
acompanhou na viagem, o inconfidente
Cláudio Manoel da Costa, dizia que “passou pelos caminhos antigos, todos
cobertos de mato”, o que significa que a
região já era habitada antes dessa data. (Ouro Fino:1749 e Jacuí: 1755)”.(3)

A partir de 1762, portugueses vieram dar origem às
muitas famílias que hoje habitam a nossa
região. Trouxeram consigo a habilidade em tratar a terra, cuidar das criações,
a tecelagem artesanal, a fabricação de queijo, a técnica de fabricar o açúcar,
a rapadura, o açúcar mascavo, o fumo, o trabalho em couro e madeira, a
religião, o folclore e as crendices populares. “Bem depois de 1808 vieram os portugueses de Açores.
Raramente os sul mineiros que possuem sobrenome portugueses não possuem
descendência açoreana” (4). “Os açorianos, por
sua vez, descendem, de habitantes do Algarve, Estremadura(5),
Alentejo e Minho”(6)
Consta em um mapa (figura 01), organizado pelo governador da
Capitania de Minas Gerais, Dom Luiz Diogo, por volta do ano de 1765, que as
primeiras comunidades instaladas na região estão registradas como Quilombo (do quimbundo significa esconderijo). Em outro mapa de 1767, o
referido local também tem o nome de Quilombo com dois núcleos populacionais próximos com nomes de Dumbá (que significa Leão em muitas línguas
africanas)(7) e Zumdu ou Zõdu(4), que é hoje o município de Jacuí. Verificando as possibilidades, percebe-se
que a localização do nome Quilombo, possivelmente,
seria onde hoje está situada Muzambinho. Estes núcleos eram habitados por
negros africanos livres e seus descendentes (3).
Muito se discute sobre a fundação do povoado, mas cabe
ressaltar aqui que de uma forma ou de outra, todos os habitantes desta região,
heróis ou anônimos, contribuíram para que essa terra abrigasse de modo
aconchegante as pessoas que residiam e que hoje residem por aqui. Não se pode
afirmar quem chegou primeiro ao local onde se formaria o povoado, se os
escravos africanos ou os descendentes de portugueses. Em termos legais, de
acordo com o Arquivo Público Mineiro e a Enciclopédia dos Municípios
Brasileiros, o povoado surgiu antes de 1.852, sendo Pedro de Alcântara
Magalhães considerado um dos pioneiros da fundação. Com terras doadas por Maria
Benedita Vieira, Ingracia Destarte, José
Braga e João Vieira Homem o povoado recebeu o nome de São José da Boa Vista do Cabo Verde.
Isto porque o povoado pertencia ao município de Cabo Verde, segundo o gráfico
sobre o desdobramento de Vila Rica, datado de 1711.
CAPÍTULO II – O DISTRITO, A PARÓQUIA
A VILA
Desde
a sua fundação, o pequeno povoado começara a atrair homens e mulheres dispostos
e desejosos de melhorar sua subsistência, ou até mesmo, sua qualidade de vida.
O povoado de São José da Boa Vista de Cabo Verde cresceu. Sendo assim, o Sr.
Cesário Coimbra e o Pe. Próspero Paolielo
desejavam ver o povoado sempre em crescimento. Empenhados neste
objetivo, juntamente com outros habitantes, realizaram o desejo do povoado tornar-se
Distrito no dia 08 de outubro de 1.860.
O tempo passa e os cidadãos da pequena vila desejam mais. A
Igreja Católica sempre representou uma força marcante no Brasil. A colonização
trouxe a Igreja Européia. Aos poucos espalharam a cultura religiosa pelo imenso
território brasileiro. Nestes tempos a Igreja Católica possuía uma organização
digna de um Estado. Espalhada pelo Brasil, organizada em Paróquias e Dioceses,
era a instituição responsável pelos registros de nascimento, casamento, óbitos.
Portanto, ter uma Paróquia em um povoado ou distrito era a constatação do
desejo de articulação de uma comunidade. No dia 02 de janeiro de 1.866 o
distrito passou a ser Paróquia.
No dia 12 de novembro de 1.878, o distrito passou a
categoria de Vila, formando Termo com as freguesias de Dores de Guaxupé (atual
Guaxupé) e Santa Bárbara das Canoas (atual Guaranésia).
CAPÍTULO III – A VILA AGORA É CIDADE
Em 30 de Novembro de
“Com o decorrer do tempo, o nome passou a ter a atual grafia
com ‘U’. Em relatórios do governo da província no século XIX o local é grafado
como Mosambinho ou Mossambinho”(8).
CAPÍTULO IV – LIBERDADE PARA OS
ESCRAVOS
Os princípios republicanos e
abolicionistas explodiam por todo o Brasil quando Muzambinho foi elevada à
categoria de Cidade. Tudo indica que, por estas terras, antes da chegada dos
portugueses, negros quilombolas viviam próximos onde hoje se situa o bairro
Brejo Alegre. Neste local encontraram segurança e estavam longe da ira dos
capitães do mato. Mesmo assim, não podemos afirmar que em Muzambinho não houve
escravidão. Existem livros antigos de compra e venda de escravos o que dão
conta de que aqui não foi muito diferente do restante do Brasil, ou seja, o
negro, infelizmente, era tratado como objeto de compra e venda.
Os negros que aqui viviam, em sua
maioria, “eram bantos de Angola ou provenientes de várias etnias de Moçambique”(9).
Pela atuação dos abolicionistas de Muzambinho, principalmente, Américo
Luz, alguns escravos da Comarca foram alforriados no dia 12 de maio de 1.881,
antecipando em sete anos o ato da princesa Isabel que assinaria a Lei Áurea em
13 de Maio de 1.888.
CAPÍTULO V – A ORIGEM DO NOME MUZAMBINHO
Desde o ano de 1995, as pesquisas em
torno da origem do nome do município estão se desenvolvendo. Não existe na
história uma verdade pronta e acabada. A história é aberta a pesquisas que
possam intensificar a descoberta sobre a vida de um povo. Desde Heródoto
(historiador que pela primeira vez inseriu a história na ciência da
investigação) que estamos sempre dispostos a completar as pesquisas. Esta idéia
é reforçada por boa parte dos historiadores da atualidade. Portanto, a cada dia
é necessário estudar sempre mais sobre a história de nossa gente. Voltemos a
origem do nome do município. “O nome Muzambinho vem da influência que os
africanos tiveram na formação do povoado. O significado da palavra Muzambinho
tem várias explicações: vem do idioma Utchokwe,
falado pela etnia Chokwe (ou Tutchokwe ou ainda Quiocos) em Angola,
significando “adivinhação”(10), é também o nome de um chocalho,
musambu, usado pela mesma etnia em
rituais de adivinhação e para espantar
os maus espíritos(10). O
nome pode estar ligado à máscaras estilo
muzamba usadas pela mesma etnia”(11).
“Outra versão é a de que vem da palavra mocambo, do idioma quimbundo, que significa: local onde os escravos fugitivos se
reuniam (mu + Kambo = esconderijo)”(12).
“Pode vir também das palavras muçamba e
muçambé (espécie de planta brasileira), muçamba (instrumento musical, espécie de puíta ou cuíca), muçambo
(enfeite de metal usado pela mulheres da etnia lunda, da região da atual
Angola, para apertar o inferior das tranças dos cabelos)”(13).
“Há a hipótese de o nome vir de Moçambique, pois a
região do atual país africano era chamada Musambih
por geógrafos árabes da época medieval”(14).
“Pode advir da dança Moçambique,
praticada no município no século XX. A palavra Musambi teria o significado de “Sopro de Deus” (Mu = sopro, Zambi =
Deus) e é usada em rituais de candomblé como uma saudação”(16).
“Também pode vir de Muzambo(17), lugar sagrado,
lugar de prender elebó(18), no
candomblé”. “O nome Muzambo ainda
existe até hoje no norte de Angola,
na região de Uige”(19).
Segundo o antropólogo português João Vicente Martins o nome pode derivar de um
tipo de cipó denominado “muzombo”
(cujo nome científico é Entata gigas).
Ainda, segundo Martins, o nome pode vir de “muzambo”,
charcos onde as mulheres africanas punham os tubérculos da mandioca para
fermentar. Martins considera a hipótese mais provável a de que venha de nzambo (sanguessuga) cujo plural é “mazambo”, sanguessugas existentes nos brejos. A palavra “Munsambu” significa peixe seco
Existe, segundo o historiador Tarcísio José Martins,
a hipótese remota de que a palavra tenha surgido na Língua Geral (mistura de
espanhol com tupi e guarani) vindo da palavra Mokambu que significa: amamentar. Mitã Mocambu significaria “amamentar a criança”. Existem, segundo
Tarcísio J. Martins, muitos nomes “paulistas” em bairros como Guatapará,
Cateto, Macaúbas e Cambuí mas, sendo Muzambinho o diminutivo aportuguesado da
palavra “Muzambo” , sua origem mais provável é a africano-bantu.
CAPÍTULO VI – A ESTRUTURA ÉTNICA DA
POPULAÇÃO DE MUZAMBINHO
“A população é formada por descendentes de índios,
africanos, portugueses, italianos, sírios, libaneses, espanhóis e alguns
suecos. Há, principalmente na zona rural, pessoas com fortes traços indígenas:
os caboclos”(20).
Fugindo
da fome e da miséria na Europa, centenas de famílias italianas vieram para a
região. Em Muzambinho, especialmente, havia uma espécie de Consulado Italiano,
que funcionava entre a Avenida Américo Luz e a Avenida 13 de maio (hoje Avenida
Frei Florentino).
Muitos imigrantes italianos fizeram
história no município de Muzambinho e contribuíram definitivamente para o
crescimento urbano da cidade. Como, por exemplo, o Sr. Francisco Leonardo
Cerávolo, destaque pelo seu espírito empreendedor. Possuía fábricas de vinho,
cerâmica, tijolos e trabalhou na construção de grandes obras como o Paço Municipal, Escola Estadual Cesário
Coimbra, entre outras. Outros tantos imigrantes influenciaram na formação do
povo muzambinhense. Para comprovar esta formação étnica, destacamos a grande
presença dos italianos em nossa comunidade nas palavras do imigrante italiano,
Ermenegildo Pulcinelli.
“ Muito italiano
saiu da Itália e veio para
Muzambinho, não veio para o Brasil, veio
para Muzambinho(...). Grande parte veio para São José do Rio
Pardo e grande parte veio para
Muzambinho (...) Decerto havia algum intercâmbio (...)” (Emenergildo Pulcinelli- construtor descendente de
italianos).
Negros,
italianos, índios, alemães, sírios, libaneses e outros tantos desempenharam
atividades diversas e trabalharam, juntos, na construção de uma sociedade
disposta a conquistar o seu espaço.
CAPÍTULO VI – FERROVIA - OS TRILHOS
DA MARIA FUMAÇA
A
produção agrícola em Muzambinho aumentava significativamente todos os anos. A
produção cafeeira acentuava-se a cada dia. Para escoar esta produção, o
transporte era complicado. Existiam poucos recursos de locomoção. Era
necessário encaminhar a produção até determinada cidade e, a partir dali,
seguir nos trilhos das Companhias Ferroviárias, principalmente as Companhias
Ferroviárias do Estado de São Paulo (Mogyana).
Sendo assim, nos idos de 1880, Américo
Luz, apoiou e incentivou a criação da Estrada de Ferro Muzambinho. O objetivo
era uma companhia forte que, além de cooperar no transporte da produção, traria
emprego e o desenvolvimento esperado na região. A topografia e as dificuldades
financeiras impediram a projeção da Estrada de Ferro Muzambinho. Não restando
alternativas, os diretores da Companhia permitiram o seu encampamento nos anos
de 1899 (Governo Estadual) e 1908 (Governo Federal)(21).
Os Governos Estadual e Federal não
conseguiram realizar a obra tão esperada. Eram necessários recursos financeiros
extraordinários para concluir o projeto da ferrovia na região. Américo Luz,
mesmo com a Companhia encampada, não poupou esforços para defender tal projeto.
“O sonho do Dr. Américo Luz foi
concretizado anos mais tarde. A Companhia Mogyana foi a construtora do trecho
Guaxupé-Muzambinho e foi inaugurada no dia 06 de abril do ano de 1913. O
tráfego era feito pela mesma companhia até a estação Tuyuty (atual Juréia). Uma
das principais utilidades da referida ferrovia era a exportação do café. Além da Estação Muzambinho, outras estações
foram construídas no município como: Estação Santa Esméria, Moçambo,
Montalverne e Palméia. Na época, o município de Muzambinho estendia-se aos
distritos de Monte Belo e Barra Mansa. Sendo assim, na área do distrito de
Monte Belo foram construídas as Estações: Monte Cristo, Monte Belo, Tuyuty
(entrocamento com a Rede Sul Mineira) e a Estação Engenheiro Trompowski, que
servia ao povoado de Santa Cruz da Aparecida”(21).
Sem dúvida alguma, o progresso
acelerou-se em Muzambinho com a passagem da “Maria Fumaça”. Datam deste período
as construções do Fórum e Cadeia (hoje Paço Municipal), a Escola Estadual
Cesário Coimbra, a Praça Dom Pedro II entre outros tantos benefícios incentivados
pelo contínuo desenvolvimento da cidade. Com a política desenvolvimentista
iniciada por Juscelino Kubistchek, o Brasil perdeu o interesse pelas ferrovias.
A partir deste momento, muitas foram desativadas dando lugar às rodovias que
começam a ser espalhadas pelo Brasil inteiro e no dia 20 de abril de 1964 foi desativado o uso da ferrovia em nosso
município.
CAPÍTULO VII – MUZAMBINHO PRESENTE
NA HISTÓRIA DO BRASIL
A
história de Muzambinho sempre esteve ligada a fatos relacionados com a História
Nacional: a possível formação do Quilombo anterior a 1765, o movimento
abolicionista liderado por Américo Luz, a luta de seus líderes políticos para a
vinda da estrada de ferro para a cidade, a criação do Lyceu Municipal em 1.901,
através do qual mereceu o título de “Atenas Sul- Mineira” (cuidando da educação
de jovens de todo o país, que posteriormente figurariam em importantes setores
da vida pública nacional).
Muzambinho sofreu as conseqüências das revoluções de
1.930 e 1.932, quando a cidade foi ocupada por tropas paulistas, sendo então
palco de confrontos armados. Segundo Otto Lara Resende: “Dutra liderou os mineiros, a partir de Muzambinho, empurrando os
paulistas para o túnel”(22).
“Em 1.930, durante a revolução, as forças mineiras ficaram aquarteladas
no Hotel São José, o comando era ali. As forças paulistas chegaram à Muzambinho
e os mineiros foram para Varginha buscar
reforços. (...) Os paulistas
nomearam o agente do correio, Luiz Neri,
como prefeito, por ser partidário de Washington Luís” (Messias Gomes de Melo, ex-prefeito de Muzambinho).
Em 1.937, com a implantação do Estado Novo, que
manteve Getúlio Vargas no poder até 1.945, novamente Muzambinho vai sentir de
perto as conseqüências de sua importância na vida política nacional. Com o
Estado Novo, o prefeito Dr. José Januário Magalhães ficou no governo até 1.945,
e o diretor do Lyceu Municipal, professor Salatiel de Almeida, foi afastado,
sendo substituído pelo professor Saint Clair, que acabou sendo assassinado.
Fala-se muito que o assassinato foi justificado por questões salariais, mas não
podemos afirmar coisa alguma, pois no local do acontecido, estavam somente os
oponentes. O professor Saint Clair faleceu dois dias após o acontecido. Esse
fato levou ao fechamento do colégio e sua ocupação pelo Décimo Batalhão dos
Caçadores Mineiros, em 1.938 .
“ DELEGACIA DE
POLÍCIA: communicado
O Sr.
Guaracy Prado, delegado de Polícia deste
Município acaba de receber do Chefe de Polícia
de Belo Horizonte o radiogramma abaixo:
Delegado
de Polícia
Muzambinho
Para o
vosso conhecimento e providência, comunico-vos que foram dissolvidos todos os
partidos políticos existentes no Paiz, inclusive o integralismo, em virtude decreto
federal hoje assignado. Referido decreto prohibe uso distintivos partidários de
qualquer natureza. Deveis executar ordem e não permitindo manifestações ou
comentários imprensa a favor ou contra qualquer dos partidos ora
dissolvidos.
(23)Sauds.
Ernesto Dornelles-
Chefe Polícia”(23).
“Com a implantação do Estado Novo, houve um confronto
entre as forças políticas locais, havendo tiroteio. Um dos grupos
entrincheirou-se no porão do salão nobre
do Lyceu Municipal. O conflito ocorreu
durante a saída dos alunos, mas nenhum saiu
ferido. Da janela de minha casa eu vi quando os adversários começaram a
atirar” (Messias
Gomes de Melo, ex-prefeito de Muzambinho).
De
O Lyceu Municipal voltou a funcionar no ano de 1948
com o nome de Colégio Estadual de Muzambinho (CEM) graças ao esforço de todos
os cidadãos de Muzambinho, em especial o Dr. Lycurgo Leite Filho.
Acalmados os ânimos na cidade, as
portas se abrem para uma nova retomada do desenvolvimento e o sonho de ver uma
cidade com boa qualidade de vida. Muzambinho continua sendo palco de grandes
acontecimentos políticos entre os “tucanos” e “pica-paus”, o que não é
peculiaridade muzambinhense, toda cidade brasileira da época era dividida entre
dois grupos políticos, mas o que se sabe, é que em Muzambinho o embate político
era um jogo de forças grandioso.
Muzambinho sempre foi uma cidade
que, embora não seja evidente, preocupou-se com a educação. Desde os tempos das
aulas na casa do Sr. Francisco Navarro, do Lyceu Municipal, do Grupo Escolar
Cesário Coimbra, do Ginásio São José, Muzambinho sentiu a necessidade do
desenvolvimento do saber e para contemplar tal preocupação e, sentindo a
realidade agrícola local, em 1953 é inaugurada a Escola Agrotécnica Federal de
Muzambinho. A Escola começou a funcionar no início do ano de 1953, mas sua
inauguração oficial aconteceu no dia 22 de novembro de 1953 com a presença de
várias personalidades nacionais como o presidente do Estado de Minas Gerais
Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, Assis Chateaubriand e o
Presidente Getúlio Vargas, então de volta ao poder, eleito pelo povo.
A Muzambinho de hoje não é nada
diferente dos tempos passados, a disputa política local é sempre acirrada, mas
democrática, visto que vivemos um período de intensa transformação nacional e
os debates políticos ficam na esfera das propostas de mudanças.
CAPÍTULO VIII – NOSSA TERRA, NOSSA
GENTE
Muzambinho
é uma cidade hospitaleira. Os que por aqui passam ficam sempre com desejo de
voltar. Aqui se respira o cheiro da terra, ainda não poluída pelas grandes
indústrias que em uma corrida gigantesca vão se alastrando pelo país. Durante
todos estes anos de história, muitos foram os que se preocuparam em deixar seu
sinal por esta terra. Homens, mulheres, jovens e crianças que contribuíram para
formar nossa comunidade. Muitos se destacaram pela sua posição política como
prefeitos, vereadores, deputados, ou ainda, como diretores de escola,
professores, secretários, etc. Mas muitos não se projetaram desta forma, mas
não esqueceram de deixar a marca registrada. Estes heróis anônimos, gente do
povo, gente que construiu e constrói a história.
CAPÍTULO IX – MUZAMBINHO – ECONOMIA,
DESENVOLVIMENTO, TURISMO E O PATRIMÔNIO HISTÓRICO
A economia do município é baseada na agricultura e na
pecuária. O principal produto, assim como em todo o sul de minas, é o café.
Muzambinho é sede de algumas indústrias de pequeno porte e casas comerciais que
atendem a outras cidades da região.
A
cidade ocupa uma área de 414 Km2, localizada na microrregião da
Baixa Mogyana, confronta-se com os municípios de Cabo Verde, Monte Belo,
Juruaia, Guaxupé e, no Estado de São Paulo, a cidade de Caconde.
O desenvolvimento da cidade acompanha os
acontecimentos do país. Aos poucos e com trabalho, a cidade vai crescendo, sem,
entretanto, perder seu encanto de cidade do interior.
Na década de 1970 é Fundada a Faculdade de Educação
Física. Na mesma cidade onde comemorava-se a inauguração do novo estabelecimento
de ensino, uma nova instituição de educação, ocorrem torturas a estudantes
muzambinhenses pelo Dops de Belo Horizonte. A repressão ocorreu devido a
pichações feitas nos muros da cidade contra a ditadura militar.
Na década de
Na década de 1990, com certeza, foi o período do
desenvolvimento e resgate sócio-cultural do nosso povo, desenvolvimento do
potencial turístico e continuidade no crescimento populacional urbano.
Em 1995 Muzambinho com a visita do Prefeito da cidade
de Moçambique, Sr. Abel Ernesto Safrão, inicia-se um intercâmbio entre
Muzambinho e os países africanos de língua portuguesa. A última visita dos
países africanos de língua portuguesa aconteceu em fevereiro de 2003, com a
vinda dos angolanos para um intercâmbio cultural e esportivo. Em 1995,
Muzambinho recebeu da Embratur o título de “Cidade Potencial Turístico” e, em
1998, o título de “Município Prioritário para o desenvolvimento do Turismo”.
A cidade hoje está
se tornando modelo de preservação do patrimônio histórico, artístico e
cultural. Com a atuação do Setor e Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico
e Cultural o município conseguiu realizar o processo de tombamento de mais de
30 imóveis. A preservação destes imóveis visa, sobretudo, estimular a população
para a valorização da sua história, sua cultura, sua terra e sua gente. Além
disso, ocorreu a inauguração do Museu Municipal “Francisco Leonardo Cerávolo”
no dia 30 de novembro de 2002.
Cabe destacar, ainda, que pesquisar a história de um povo, de
uma cidade, de uma comunidade também é sinal de futuro. A modernidade deve
estar sempre presente sem dar prejuízos a nossa história. “Preservar é
preciso”, mas para isto precisamos de uma ação conjunta entre a comunidade,
empresários e órgãos públicos, pois todos sabemos que a preservação é um
instrumento de cidadania e, com isto, conseguiremos atingir os objetivos que
todos desejam: o fortalecimento do turismo e do comércio, geração de rendas e
empregos.
BIBLIOGRAFIA:
-
Muzambinho,
sua História e seus Homens – Bretas Soares , Moacyr .
-
Adilson
de Carvalho - A Freguesia de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Verde.
-
Moçambique,
Moçambiques – Itinerário de um povo Afro-brasileiro. Autor: João Lupi
(professor de Filosofia e Antropologia da Universidade Federal de Santa Maria – RS ).
-
Musical Instruments, Songs and
Dances of the Chokwe – Bastin, Marie Louise . Smithsonian
Institute Washington, Estados Unidos
Pandiá Pându & Ana Pându – página 229 -Editora Ediouro
Toponímia
e Antroponímia no Brasil de Maria Vicentina do Paula do Amaral Dick – página
137.
-
Arquivo
Histórico Nacional – Rio de Janeiro
-
Dicionário
da Arquitetura Brasileira – Corona e Lemos Editora Art Show Books, 1989.
-
“Método
Moderno de Tupi Antigo – A Língua Mais Falada nos Primeiros Séculos”, de
Eduardo de Almeida Navarro, filólogo da USP, Editora Vozes, 1998, página 610.
-
“Dicionário
de Guarani-Português” de Luiz Caldas Tibiriçá, páginas 113 e 114, Traço
Editora, 1989.
-
Histórico
de Muzambinho, Setor de Patrimônio Histórico, organização: Neide Barbosa de
Souza e Fernando Magalhães
PERIÓDICOS:
-
Toponímia
de Minas Gerais – Ribeiro da Costa Joaquim Imprensa Oficial do Estado Belo
Horizonte – 1970 Jornal “O Estado de Minas” edição 10/05/1967 – Coluna “Escrever
Bem” do Professor Aires da Mata Machado Filho.
-
Ritual Masks of the Chokwe –Bastin,
Marie Louise –Smithsonian Institute –Washington –Estados Unidos.
-
Enciclopédia
da Folha de São Paulo – página 643.
-
Otto
Lara Resende – Folha de São Paulo (caderno MAIS!) de 17 de Janeiro de 99.
-
Jornal
“O Muzambinho”, 03/12/1937.
-
Enciclopédia
Barsa – página 54.
-
Enciclopédia
Larousse Cultural.
INFORMAÇÕES ORAIS
-
Dona
Rita Almeida Oliveira – informação oral de Moradora da Rua Cônego Esaú,53 em
Muzambinho.
-
João
Vicente Martins – antropólogo português – Dumba
deve ser a palavra “ndumba” que quer dizer leão, especialmente na língua
Utchokwe.
-
Breno
Decinna – arquiteto do IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e
Artístico) – informação oral.
-
Dona
Adeli Ferreira – Mãe-de-santo, nação
Oió, em Alegrete (RS).
-
Informação
oral, prestada em Fevereiro de 1999, pelas Sras. Antónia Cravide, Leopoldina e
Maria Cristina Dória, naturais de São Tomé e Príncipe, em visita à Casa da
Cultura de Muzambinho.
-
Emenergildo
Pulcinelli - construtor descendente de italianos.
-
Messias
Gomes de Melo - ex-Prefeito de Muzambinho.
-
A
dança Moçambique possui vários elementos portugueses - Enciclopédia do Folclore
Brasileiro de Câmara Cascudo.
-
A
informação sobre as palavras: Muzombo e Munsambu foram fornecidas pelo
Professor Francisco Gil, angolano, Presidente da Associação de Amigos de Angola
-
Historiador
Tarcísio José Martins, autor do livro “Quilombo do Campo Grande” em correspondência
a Casa da Cultura de Muzambinho (22/09/99).
(1)
Informação oral: Dona Rita Almeida de Oliveira. Moradora da Rua Cônego Esaú, 53
em Muzambinho-MG.
(2) CARVALHO,
Adilson de;. A Freguesia de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Verde.
(3)
CARVALHO, Adilson de;. A Freguesia de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Verde
(4) Historiador Tarcísio José Martins, autor do livro “Quilombo do Campo Grande” em correspondência a Casa da Cultura de Muzambinho (22/09/99).
(5) Enciclopédia Larousse Cultural.
(6) Enciclopédia Barsa – página 54.
(7)
João Vicente Martins – antropólogo português –
Dumba deve ser a palavra “ndumba” que
quer dizer leão, especialmente na língua Utchokwe
(8) Arquivo Histórico Nacional do Rio de Janeiro.
(9) Moçambique, Moçambiques –Itinerário de um povo Afro-brasileiro. Autor: João Lupi (professor de Filosofia e Antropologia da Universidade Federal de Santa Maria – RS ).
(10) Musical Instruments, Songs and
Dances of the Chokwe – Bastin, Marie Louise – Smithsonian Institute –
Washington, Estados Unidos.
Pandiá Pându & Ana Pându – página 229 – Editora Ediouro.
(11) Ritual Masks of the Chokwe –
Bastin, Marie Louise – Smithsonian Institute – Washington, Estados Unidos.
(12) Dicionário da Arquitetura Brasileira – Corona e Lemos – Editora Art Show Books – 1989.
(13) Toponímia de Minas Gerais – Ribeiro da Costa, Joaquim – Imprensa Oficial do Estado – Belo Horizonte – 1970
(14) Enciclopédia da Folha de São Paulo, página 643.
(16) Breno Decinna – Arquiteto do IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico) – Informação Oral.
(17) Dona Adeli Ferreira – Mãe de Santo – nação Oió, em Alegrete – RS.
(18) pessoa sendo preparada para ser pai ou mãe-de-santo, rituais finais.
(19) Informação oral, prestada em fevereiro de 1999, pelas Sras. Antônia Cravide, Leopoldina e Maria Cristina Dória, naturais de São Tomé e Príncipe, em visita à Casa da Cultura de Muzambinho.
(20)
CARVALHO, Adilson de;.
A Freguesia de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Verde
(21)
BRETAS SOARES, Moacyr ; Muzambinho, sua história e seus homens.
(22) Otto Lara Resende, Folha de São Paulo (caderno MAIS!) de 17 de janeiro de 1999.
(23) Jornal “O Muzambinho”, 03/12/1937.